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Hoje, o ouro voltou a ser negociado próximo de US$ 4.600 por onça, recuperando grande parte das perdas da sessão anterior. A prata subiu 1,4%, para US$ 69,04, enquanto tanto a platina quanto o paládio também registraram alta.
Lembre-se de que, na quarta-feira, o metal encerrou uma sequência de cinco dias de alta depois que os dados mostraram que a inflação nos EUA permanece significativamente acima da meta do Federal Reserve, aumentando as chances de uma alta dos juros. Naquele momento, o dólar registrou seu maior ganho em duas semanas, e os rendimentos dos títulos subiram. Ainda assim, em agosto, o ouro acumula alta de quase 15%, e o principal impulsionador desse crescimento foi a intervenção inesperada do Tesouro dos EUA no mercado de títulos na semana passada.
A natureza desse rali é fundamentalmente diferente da lógica clássica das taxas de juros. As tentativas de controlar o custo do serviço da enorme dívida dos EUA reacenderam o interesse na chamada devaluation trade (aposta na desvalorização), que alimentou o rali recorde do ouro no ano passado, quando os investidores compraram o metal como proteção contra déficits orçamentários incontroláveis e a fraqueza do dólar. A recuperação sustentada nas últimas semanas também levou o metal a superar a média móvel de 200 dias, frequentemente considerada um importante indicador de momentum de longo prazo.
Um evento importante continua sendo o discurso de Kevin Warsh na sexta-feira, no simpósio de Jackson Hole, sua primeira grande aparição como presidente do Fed. Investidores e traders estarão atentos a sinais sobre a abordagem do banco central em relação à inflação. Para Warsh, essa também é uma oportunidade de responder às críticas sobre sua falta de transparência em relação às suas opiniões sobre a economia. Se o discurso de Warsh não preparar o terreno para uma alta dos juros em setembro, o mercado provavelmente o interpretará como dovish, e custos de financiamento mais baixos tradicionalmente favorecem os metais preciosos que não oferecem rendimento.
De forma significativa, o tema da independência do banco central voltou à pauta, outro fator que sustentou o rali do ouro no ano passado. A diretora do Fed, Lisa Cook, voltou a rejeitar as alegações infundadas de fraude hipotecária que o presidente Trump tem repetido, enquanto o próprio presidente americano considera retomar as tentativas de afastá-la.
Hoje, o ouro voltou a ser negociado próximo de US$ 4.600 por onça, recuperando grande parte das perdas da sessão anterior. A prata subiu 1,4%, para US$ 69,04, enquanto a platina e o paládio também registraram alta.
Está se desenrolando um cenário em que o ouro recebe apoio de três frentes — dívida, política monetária e fatores institucionais —, e é por isso que o discurso desta sexta-feira é tão significativo.
Quanto ao cenário técnico atual do ouro, os compradores precisam superar a resistência mais próxima em US$ 4.656. Isso permitirá que busquem US$ 4.708, nível acima do qual será bastante difícil romper. O alvo mais distante estará em torno de US$ 4.738.
Em caso de queda, os vendedores tentarão assumir o controle de US$ 4.592. Se conseguirem, um rompimento abaixo dessa faixa causará um forte impacto nas posições compradas e levará o ouro a uma mínima de US$ 4.546, com possibilidade de atingir US$ 4.481.