Alemanha analisa as vulnerabilidades econômicas da China diante de um possível conflito comercial
A Alemanha está realizando uma análise sigilosa dos fluxos comerciais, das cadeias de suprimentos e de dados de empresas chinesas para identificar pontos fracos na economia da China. A Bloomberg informa que as autoridades alemãs buscam identificar setores que permanecem criticamente dependentes de tecnologias alemãs e europeias, a fim de fortalecer sua posição nas negociações e criar instrumentos de pressão caso uma guerra comercial venha a eclodir. Essas medidas ocorrem no momento em que a China recuperou sua posição como principal parceiro comercial da Alemanha em 2025, superando os Estados Unidos, com o comércio bilateral ultrapassando € 250 bilhões.
As principais vulnerabilidades de Pequim concentram-se em produtos de alta tecnologia altamente especializados, manufatura intensiva em conhecimento e serviços intermediários. A China continua fortemente dependente de produtos de grandes empresas alemãs, como a Trumpf SE (tecnologia a laser e máquinas-ferramentas), a Carl Zeiss AG (óptica e semicondutores) e fornecedores de chips para sistemas de inteligência artificial, incluindo a Siltronic AG, a Aixtron SE e a SUSS MicroTec SE. Analistas afirmam que o instrumento de pressão mais eficaz de Berlim pode ser não apenas a redução das exportações de componentes, mas também a suspensão da manutenção e da assistência técnica de equipamentos alemães instalados na China.
A necessidade de reavaliar os laços econômicos também é destacada por think tanks. O Centre for European Reform já havia instado Berlim a deixar de se deixar impressionar pelo sucesso da China nos mercados europeus, alertando que, caso contrário, a Alemanha poderá enfrentar uma profunda desindustrialização, comparável ao declínio industrial dos Estados Unidos ocorrido há cerca de um quarto de século.