O ouro recua enquanto investidores migram para o petróleo e o dólar americano
Os preços do ouro recuaram no início das negociações asiáticas de 9 de março, à medida que a rápida escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã provocou uma forte migração de capital para o petróleo e para o dólar americano. Mesmo com a correção, o metal precioso permaneceu acima da marca psicológica de US$ 5.000 por onça, sustentado pela busca contínua por ativos de refúgio.
O ouro à vista caiu 2%, para US$ 5.064,71 por onça, enquanto os contratos futuros para dezembro recuaram 1,6%, para US$ 5.073,21. Embora o ouro tradicionalmente se beneficie em períodos de guerra por ser um ativo de proteção, o otimismo dos investidores está sendo limitado pelo temor de um forte avanço da inflação. O mercado teme que o aumento dos preços da energia force os principais bancos centrais a manter ou retomar políticas monetárias mais restritivas, elevando o custo de oportunidade de manter posições em ouro.
O índice do dólar (DXY) subiu 0,6% na segunda-feira, enquanto o petróleo Brent registrou uma alta expressiva de 20%, sendo negociado acima de US$ 100 por barril. Esses movimentos ocorreram após ataques dos EUA e de Israel a instalações petrolíferas iranianas e o que participantes do mercado descreveram como um bloqueio efetivo do Estreito de Ormuz por Teerã durante o fim de semana. Cerca de 20% do consumo global de petróleo passa por esse estreito, tornando o petróleo um ativo defensivo prioritário para os traders.
Na semana passada, o ouro perdeu cerca de 2% e continuou a ser negociado dentro de uma ampla faixa entre US$ 5.000 e a máxima histórica de janeiro, em US$ 5.600. A volatilidade elevada tem sido impulsionada pela atividade especulativa e pela incerteza quanto à trajetória das taxas de juros. Dados fracos do mercado de trabalho dos EUA, divulgados na sexta-feira, haviam alimentado expectativas de flexibilização monetária pelo Federal Reserve, mas o foco do mercado rapidamente mudou para o risco inflacionário provocado pela alta dos combustíveis.
Outros metais preciosos também registraram queda. A prata caiu 2,5%, para US$ 82,12 por onça, enquanto a platina apresentou a maior baixa do grupo, recuando 4,2%, para US$ 2.050,29 por onça.