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Após um rali explosivo de oito dias, o EUR/USD entrou em consolidação, enquanto os mercados aguardam novos desdobramentos no Oriente Médio. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que as negociações entre Washington e Teerã podem ser retomadas já no fim de semana e que o Irã teria aceitado a maioria das exigências americanas. Os investidores estão precificando um acordo de paz rápido e, por ora, ignorando os preços elevados do petróleo e o risco persistente de alta da inflação.
Os mercados tendem a reagir primeiro e questionar depois. Neste momento, a desescalada no Oriente Médio tornou-se um fator mais relevante para os ativos do que os riscos de estagflação, que seriam sentidos de forma particularmente intensa na Europa e na Ásia, devido à dependência dessas regiões de importações de energia.
Índices de commodities e a evolução do IPC dos EUA
Os Estados Unidos enfrentam um problema diferente. Mesmo antes dos ataques ao Irã, os preços da maioria das commodities já estavam subindo, em parte impulsionados pelas tarifas de Donald Trump. Em março, o petróleo e o gás se juntaram a essa alta, o que quase certamente pressionará os preços ao consumidor nos EUA. Efeitos de segunda ordem também elevarão a inflação núcleo, especialmente considerando a postura anti-imigração da administração, que reduz a força de trabalho e aumenta o poder de barganha dos trabalhadores para exigir salários mais altos.
Em uma de suas declarações recentes, Jerome Powell afirmou que o Fed não reduzirá as taxas de juros se a tendência de desinflação for interrompida — e é provável que isso aconteça. Assim, as previsões do mercado que apontam para nenhuma mudança na política monetária até o final do ano parecem razoáveis.
Expectativas do mercado em relação à taxa de juros dos fundos federais
Se as tensões geopolíticas forem resolvidas, o foco dos investidores voltará para as taxas de juros. O mercado de futuros atualmente precifica duas altas de juros pelo Banco Central Europeu em 2026, com cerca de 30% de probabilidade de uma terceira. Fontes da Bloomberg indicam que o Conselho do banco não deverá tomar nenhuma decisão em abril.
Na prática, o Banco Central Europeu deve evitar agravar uma possível desaceleração econômica. Desde os ataques dos EUA e de Israel ao Irã, o petróleo subiu cerca de 60% e o gás disparou aproximadamente 90%. A Bloomberg Economics reduziu sua projeção de crescimento do primeiro trimestre da zona do euro de 0,5% para zero. Um aumento da taxa de depósito nessas condições seria um erro político por parte de Christine Lagarde e seus colegas.
Os custos de empréstimo podem permanecer inalterados, e as expectativas atuais de alta de juros podem acabar prejudicando o euro. De fato, se o diferencial de taxas entre o Fed e o Banco Central Europeu não diminuir, faz sentido vender o principal par de moedas neste momento.
Do ponto de vista técnico, no gráfico diário, o EUR/USD está em consolidação de curto prazo após um rali prolongado. Faz sentido posicionar ordens de compra pendentes em um rompimento acima da faixa superior do intervalo de negociação entre 1,1765–1,1825, e vender caso o suporte em 1,1765 seja rompido com sucesso. No primeiro caso, aumenta o risco de uma alta até 1,1950; no segundo, aumentam as chances de um recuo até 1,1715.