Veja também
A escolha de Donald Trump para a presidência do Federal Reserve teve impacto mais forte sobre o mercado acionário do que o balanço positivo da Apple. A empresa divulgou vendas trimestrais acima do esperado e apresentou um guidance mais otimista para 2026. Houve um crescimento de 16% na receita, que atingiu US$ 143,8 bilhões, impulsionado pela forte demanda pelo iPhone 17. Ainda assim, a perspectiva de Kevin Warsh à frente do Fed desenhou um cenário consideravelmente mais sombrio para o S&P 500.
O ex-membro do FOMC defende a redução do balanço do Fed e, ao mesmo tempo, cortes nas taxas de juros. Em sua avaliação, os avanços em inteligência artificial permitem que a economia americana acelere sem reacender pressões inflacionárias, ao elevar significativamente a produtividade. Nesse contexto, o ciclo de afrouxamento monetário poderia prosseguir — o que, em tese, seria favorável às ações. O contraponto negativo, porém, é a contração do balanço: um Fed menor tende a pressionar os rendimentos de longo prazo e a elevar o custo de financiamento corporativo.
É bastante plausível que a crescente percepção de que Warsh pode superar outros candidatos tenha contribuído para a venda acelerada de ações por insiders — o ritmo mais intenso dos últimos cinco anos. O peixe apodrece pela cabeça: se executivos e controladores estão reduzindo exposição, os investidores têm razões concretas para questionar a capacidade do S&P 500 de retomar uma trajetória sustentável de alta.
Dinâmica das vendas líquidas de ações norte-americanas por insiders
Os mercados esperam que Kevin Warsh restaure a confiança no dólar americano e ponha fim à tendência de "venda dos Estados Unidos". As saídas de capital dos Estados Unidos são negativas para o índice geral. Além disso, o dinheiro não está saindo apenas para os mercados internacionais.
Em 2025–2026, as ações americanas não foram a classe de ativos mais volátil. Os metais preciosos superaram-nas facilmente. O petróleo e até mesmo as moedas tiveram um desempenho melhor. A volatilidade é a força vital dos traders; quando ela está presente, os ativos muitas vezes são comprados simplesmente porque estão em movimento.
Dinâmica da volatilidade nos mercados
Ainda assim, o rali do ouro e da prata acabou pregando uma peça no mercado de ações. Enquanto os metais preciosos subiam, o capital migrou para esse segmento. Com as liquidações expressivas na virada de janeiro para fevereiro, a tendência é que parte desses recursos volte gradualmente para as ações, o que, em tese, deve dar algum suporte ao S&P 500.
O dólar reagiu inicialmente à notícia envolvendo Warsh com fortalecimento, já que os investidores interpretaram sua possível nomeação como um sinal de defesa da independência do Fed. Na prática, porém, Washington precisava primeiro acalmar os mercados para, em um horizonte não tão distante, permitir um dólar mais fraco — cenário que favoreceria os resultados das multinacionais americanas com operações no exterior.
Há, no entanto, o outro lado da moeda. Um dólar mais fraco tende a reduzir o apetite dos investidores estrangeiros por ativos dos EUA. Além disso, os preços das importações aumentariam, pressionando a inflação.
Do ponto de vista técnico, o gráfico diário mostra que o S&P 500 formou a segunda barra consecutiva com longa sombra inferior, sendo esta também uma barra interna. Nesse contexto, faz sentido posicionar ordens pendentes de compra no índice em 6.965 e ordens de venda em 6.890.